Durante conferência sobre democracia em Buenos Aires, refugiado político brasileiro interrompe fala do ministro do STF para denunciar suposta perseguição judicial e pedir reconhecimento do direito à liberdade de expressão.
Um episódio inusitado marcou uma conferência sobre democracia e Estado de Direito, realizada em Buenos Aires, nesta semana. Durante a fala do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, um réu dos atos de 8 de janeiro de 2023, atualmente refugiado político na Argentina, levantou-se e interrompeu o discurso para protestar contra o que classificou como “perseguição judicial” no Brasil.
Em tom emocionado, o homem afirmou representar brasileiros “vivendo fora do país há 14 a 17 anos sem provas de terem entrado em prédios públicos”, numa referência direta aos acusados pelos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília.
“Estão falando em democracia. Essa é a verdadeira democracia — eu poder falar e me expressar. Muito obrigado, ministro Gilmar, por me ouvir”, declarou o manifestante, sob aplausos de parte da plateia.
Apesar da interrupção, Gilmar Mendes manteve a serenidade, agradeceu a manifestação e deu prosseguimento ao evento. O ministro reiterou que o Brasil vive sob o Estado Democrático de Direito, enfatizando que as decisões do STF “são fundamentadas em provas, dentro dos limites constitucionais”.
O episódio rapidamente repercutiu nas redes sociais e na imprensa, reacendendo o debate sobre liberdade de expressão, perseguição política e o papel do Judiciário brasileiro no julgamento dos réus dos atos de 8 de janeiro.
Analistas políticos destacam que o caso evidencia o clima de polarização persistente no país e a crescente tensão entre setores que denunciam supostos abusos judiciais e aqueles que defendem a atuação firme das instituições diante dos ataques à democracia.




























