Conselheiro de Trump promete “não descansar” até prender Moraes

Jason Miller, ex-conselheiro e porta-voz próximo a Donald Trump, publicou no X (ex-Twitter) uma mensagem dura contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que “não vou desistir até que Moraes seja preso“. A postagem foi feita em resposta a um vídeo compartilhado por Eduardo Bolsonaro sobre a prisão do ex-assessor internacional Filipe Martins.

O tuíte (agora replicado em diversos canais) inclui ataques pessoais ao ministro — “o que ele está fazendo com o presidente Jair Bolsonaro é repugnante” — e a promessa de “não deixar barato” até Moraes estar “atrás das grades”. A assessoria do ministro, não se pronunciou até o momento.

Contexto do caso Filipe Martins: o ex-assessor, investigado em inquéritos que apuram atos e planejamentos relacionados ao 8 de janeiro e a supostos preparativos para ruptura institucional, voltou a ser alvo de debates públicos após alegações sobre sua suposta entrada nos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022 — ponto usado em algumas linhas de investigação.

Em reação a essas alegações, o U.S. Customs and Border Protection (CBP) divulgou análise indicando que Martins não entrou nos EUA naquela data, informação que complicou a narrativa usada por opositores de Martins. A cobertura do caso e das dúvidas sobre registros migratórios ganhou espaço em reportagens recentes.

O episódio expõe três vetores de tensão com potencial repercussão diplomática e institucional:

  1. Internacionalização da disputa — declarações públicas de figuras políticas e ex-assessores de governos estrangeiros (como Miller) transformam um conflito jurídico-interno em assunto com visibilidade e polarização internacionais, pressionando interlocutores e alimentando narrativas de perseguição política.
  2. Crise de informação e prova — controvérsias sobre documentos e registros (por exemplo, a notificação do CBP sobre a ausência de entrada em solo americano) colocam em xeque versões de fatos que sustentam medidas processuais, aumentando a contestação pública sobre a regularidade das investigações.
  3. Risco de escalada retórica e prática — ameaças retóricas de responsabilização criminal por atores estrangeiros, somadas a pedidos públicos de soltura e acusações de “perseguição política”, podem tensionar canais diplomáticos e tornar mais complexa a resposta institucional brasileira.

Do ponto de vista jurídico, assessores e juristas consultados por veículos que cobriram o caso destacam que ameaças públicas não têm efeito jurídico direto, mas podem influenciar o ambiente político e a percepção pública sobre a imparcialidade das decisões judiciais. Além disso, eventuais pressões externas costumam ser respondidas pelas vias institucionais oficiais (canal diplomático) ou por notas de repúdio; no caso reportado, não houve até o momento manifestação oficial da assessoria de Alexandre de Moraes, segundo a cobertura.

Figuras do bolsonarismo reagiram com críticas a Moraes e com mobilizações nas redes pedindo a libertação de Martins; apoiadores de Moraes e setores do Judiciário apontam que investigações seguem regras processuais e que críticas externas não podem substituir a atuação técnica da Justiça. A divulgação ampla do tuíte de Miller foi observada também por veículos brasileiros além da CNN, ampliando a circulação da declaração e colocando o episódio no centro do noticiário político.

Em suma, a declaração de Jason Miller não altera, por si só, a competência e o rito das investigações conduzidas no Brasil — mas é elemento político relevante: internacionaliza o debate, amplia a pressão midiática sobre magistrados e autoridades, e alimenta narrativas de injustiça entre apoiadores do ex-presidente Bolsonaro. A combinação entre essas pressões e as incertezas factuais sobre provas (como registros migratórios) configura um ambiente em que decisões judiciais de grande impacto — e seus desdobramentos políticos — tendem a permanecer sob intenso escrutínio público e diplomático

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