Trump autoriza ação secreta da CIA na Venezuela

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou secretamente a Agência Central de Inteligência (CIA) a executar ações encobertas na Venezuela, em uma autorização classificada que, segundo reportagens, pode incluir operações potencialmente letais e um leque de missões de inteligência na região do Caribe. A informação, inicialmente publicada pelo New York Times e repercutida por veículos internacionais, marca uma escalada clara na campanha de pressão de Washington contra o governo de Nicolás Maduro.

Governo Trump autoriza ação secreta da CIA na Venezuela, diz jornal

Fontes norte-americanas ouvidas pela imprensa informam que a autorização aparece em um documento do mais alto sigilo — conhecido nos EUA como “presidential finding” — e confere à CIA margem para atuar, de forma isolada ou em coordenação com forças militares, em operações que visam desestabilizar a cúpula chavista ou degradar sua capacidade de comando e controle. Não está claro, segundo as reportagens, quantas missões já foram executadas sob essa autoridade ou se ela funciona como contingência para ações futuras.

Na mesma janela temporal, o governo americano passou a autorizar ataques a embarcações próximas às águas venezuelanas, justificando que as embarcações transportavam drogas.

Fontes jornalísticas relatam que, desde o início da campanha, 27 pessoas morreram em desdobramentos dessas ações — um número que traz à tona questões sobre proporcionalidade, evidências e enquadramento jurídico dos ataques em águas internacionais. As operações têm gerado preocupação entre juristas e no Congresso dos EUA, que questionam a base legal e a transparência das ações.

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Especialistas em segurança internacional lembram que autorizar a agência de inteligência a conduzir ações letais em solo estrangeiro constitui um limiar sensível: por um lado, amplia o leque de ferramentas do Executivo para pressionar regimes considerados hostis; por outro, multiplica os riscos de incidentes, escaladas inesperadas e crises diplomáticas com países que apoiam Maduro, como Rússia e Irã. A possibilidade de operações não-denunciadas também dificulta a responsabilização em casos de violações de direitos humanos.

Para Caracas, a medida é uma confirmação do que o governo chavista denuncia há meses: uma campanha de “guerra híbrida” que combina pressão diplomática, sanções financeiras, operações de inteligência e uso da força naval e aérea. Fontes oficiais venezuelanas classificaram as reportagens como “propaganda intervencionista” e prometeram respostas proporcionais a qualquer violação de sua soberania — cenário que eleva o risco de confrontos indiretos ou de incidentes entre embarcações/militares no mar do Caribe.

No plano político dos EUA, a decisão chegou em uma fase de forte polarização: parlamentares tanto do Congresso quanto analistas externos cobram explicações sobre os limites legais — inclusive o papel do Congresso na autorização de ações que possam resultar em mortes fora de um teatro de guerra formal. Ao mesmo tempo, entre aliados na região existe apreensão sobre a possibilidade de mudança abrupta no equilíbrio de poder e sobre as consequências humanitárias de um eventual vácuo de poder em Caracas.

Economicamente, a intensificação da pressão tende a afetar a dinâmica regional: qualquer desestabilização em Caracas tem potencial para perturbar mercados energéticos (dado o papel da Venezuela no petróleo), rotas marítimas do Caribe e cadeias de fornecimento regionais. Investidores e governos da região acompanham com cautela, avaliando que uma crise venezuelana ampliada pode provocar fluxo adicional de migrantes, choques de preço em commodities e uma maior militarização das rotas marítimas.

Por fim, o cenário coloca Brasília e outros países sul-americanos diante de um dilema diplomático: reagir à escalada norte-americana com protestos formais, solicitar garantias de respeito à soberania e ao direito internacional, ou adotar posturas mais contidas para não se verem arrastados para um conflito de maiores proporções na região. A transparência sobre o alcance da autorização e a eventual responsabilização por incidentes emergirão como temas centrais nas próximas semanas.

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