Em uma nova etapa nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, nesta segunda-feira (6), que conversou por telefone com o presidente norte-americano Donald Trump sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros e as sanções aplicadas a autoridades do país. A ligação, segundo o Palácio do Planalto, durou cerca de meia hora e resultou no compromisso de ambas as partes em reabrir o diálogo econômico.
Durante a conversa, Trump informou ter designado o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, como interlocutor oficial nas negociações com o governo brasileiro. A nomeação foi interpretada pelo Planalto como uma decisão “natural” e parte da estratégia americana de rever políticas comerciais e sanções anteriores. Lula, por sua vez, afirmou ter pedido a Trump que Rubio “converse com o Brasil sem preconceito”, ressaltando que o senador havia demonstrado “certo desconhecimento sobre o país” em entrevistas passadas.
“Ficou acertado que, a partir de amanhã, eles vão discutir sobre o Brasil. Depois, o secretário de Estado dele vai procurar o nosso governo. Pedi que ele diga a Marco Rubio para conversar com o Brasil sem preconceito”, declarou Lula em entrevista à TV Mirante, no Maranhão.
A escolha de Rubio, que já havia feito críticas ao governo brasileiro, chamou atenção por seu histórico de proximidade com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Mesmo assim, fontes ligadas ao Itamaraty afirmam que a indicação foi recebida com cautela e que o gesto de Trump demonstra intenção de “destravar” a agenda bilateral.
De acordo com informações apuradas, o presidente norte-americano já teria desautorizado publicamente a linha política que Rubio vinha adotando na ONU contra o Brasil. Agora, o secretário deve seguir as orientações diretas da Casa Branca e coordenar o processo de revisão do chamado “tarifaço”, que impõe até 40% de taxas sobre exportações brasileiras.
O governo brasileiro, por sua vez, considera que Rubio terá papel de coordenação nas negociações, mas que as conversas de alto nível continuarão sendo conduzidas também pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com suas contrapartes americanas — o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e o secretário do Tesouro, Scott Bessant.
Para assessores do Planalto, o silêncio da ala mais radical da Casa Branca desde o último discurso de Trump na ONU, no dia 23, é visto como um sinal positivo de que a estratégia americana em relação ao Brasil está sendo revista. Segundo fontes próximas à presidência, a suspensão das sanções a autoridades brasileiras é uma possibilidade concreta caso as negociações avancem.
Durante a ligação, Lula e Trump também concordaram em se encontrar pessoalmente “em breve”, trocando números de telefone para manter contato direto. O presidente brasileiro sugeriu que o encontro presencial ocorra durante a Cúpula da ASEAN, na Malásia, marcada para o fim de outubro.
Além disso, Lula aproveitou a ocasião para reiterar o convite a Trump para participar da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada no Brasil. Segundo o Planalto, o petista também se colocou à disposição para visitar os Estados Unidos nas próximas semanas, caso seja necessário dar prosseguimento às tratativas pessoalmente.
O clima entre os dois governos, até então marcado por atritos e desconfianças mútuas, parece dar sinais de distensão. Resta agora saber se a “química”, como definiu Lula, será suficiente para destravar os impasses comerciais que há anos dificultam as relações entre Brasília e Washington.




























