Um levantamento recente divulgado pela ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) revela um crescimento expressivo na violência letal contra pessoas LGBTQIA+, especialmente travestis e mulheres trans, no Brasil. Segundo o Dossiê ANTRA 2023, foram registradas 155 mortes de pessoas trans, sendo 145 homicídios e 10 suicídios, o que representa um aumento em relação aos anos anteriores.
A entidade aponta que o Brasil permanece entre os países com maiores índices de transfeminicídio do mundo, com as principais vítimas sendo travestis e mulheres trans negras, em situação de vulnerabilidade social, atuando em contextos de marginalização, como a prostituição de rua. Esses assassinatos, conforme o relatório, refletem um padrão contínuo de violência estrutural e negligência estatal frente às demandas da população trans.
Apesar da gravidade dos números, especialistas e veículos de imprensa já questionaram a metodologia e a transparência dos dados produzidos pela ANTRA. As críticas apontam a ausência de padronização nas fontes (muitas vezes baseadas em notícias de imprensa e relatos de redes sociais) e falta de integração com registros oficiais de segurança pública, o que dificulta aferir com precisão o número real de casos.
Ainda assim, os relatórios da ANTRA continuam sendo uma das principais referências sobre violência contra pessoas trans no país, dada a omissão do Estado brasileiro em produzir estatísticas detalhadas e contínuas sobre o tema. A entidade afirma que o aumento de mortes está diretamente relacionado à falta de políticas públicas efetivas voltadas para a proteção e inclusão da população trans, além da insegurança jurídica e do discurso de ódio persistente nas redes sociais.
Ativistas e organizações de direitos humanos ressaltam que, apesar de avanços pontuais em representatividade e visibilidade, a realidade cotidiana das pessoas trans ainda é marcada por exclusão, precarização e violência. Segundo a ANTRA, é urgente a implementação de políticas públicas integradas — envolvendo educação, segurança, trabalho e saúde — que garantam investigação rigorosa dos crimes, punição dos responsáveis e amparo às famílias das vítimas.




























