Lula na ONU: “Soberania é inegociável” e críticas às sanções ganham tom de alerta internacional

Na manhã desta terça-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso forte e claro na 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, defendendo que a soberania do Brasil não pode ser negociada, atacando sanções internacionais que considera arbitrárias, e colocando o país em posição firme diante de pressões externas. A fala repercute no Brasil e no mundo — vamos te mostrar o que ele disse, como isso se conecta com tensões diplomáticas recentes, e o que pode vir pela frente.

O que Lula disse no discurso

  • Ele afirmou que o Brasil vive um momento de “ataques unilaterais” contra suas instituições, economia e Judiciário, propondo que tais ações são uma ameaça à soberania nacional.
  • Defendeu que “medidas unilaterais e arbitrárias direcionadas a instituições e à economia brasileira” não têm justificativa.
  • Ressaltou que “Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”. E que, pela primeira vez na história do Brasil, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito, com amplo direito à defesa.
  • Também criticou os que ele chamou de “falsos patriotas”, dizendo que há extremos que promovem, publicamente, ações contra o Brasil.
  • Falou ainda que está acompanhando sanções recentes aplicadas por países estrangeiros, sobretudo pelos Estados Unidos, e que o discurso do Brasil será de defesa, soberania e independência institucional.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas na sede da ONU em Nova York, EUA, em 23 de setembro de 2025.

Contexto internacional e tensão diplomática

  • Há algumas semanas, o governo americano impôs sanções sob a Lei Magnitsky a autoridades brasileiras, inclusive à família do ministro Alexandre de Moraes do STF, além de revogar vistos de outras autoridades e parentes. Esses atos têm sido vistos pelo governo Lula como ingerência e afronta à soberania brasileira.
  • A diplomacia brasileira considera que esses movimentos não são isolados, mas parte de uma tendência internacional de usar sanções, restrições de vistos e retaliações para pressionar governos soberanos — algo que Lula classificou como “consolidação de desordem internacional”.
  • O discurso na ONU também entra no momento em que o Brasil enfrenta críticas externas em temas como o meio ambiente (que envolvem a COP-30 que sediará), e aspectos de direitos humanos. A fala de Lula aparece como tentativa de reafirmar independência, dignidade institucional e evitar que o Brasil seja colocado na defensiva nessas arenas.

Um olhar diferente: por que essa fala importa para o Brasil (e para Goiás)

  1. Imagem e legitimidade — o discurso reforça para o público interno a ideia de um Brasil soberano, que não aceitará pressões externas como se fossem ditames. Isso fortalece a narrativa de independência do governo, uma peça importante na construção política de Lula para 2026.
  2. Diplomacia tensionada — as relações com os EUA, em especial, serão alvo de atenção. A resposta americana, tanto diplomática quanto econômica, pode vir nos próximos dias. Para Goiás, que exporta, recebe investimento e participa de cadeias internacionais, isso pode gerar efeitos práticos de curto prazo (tarifas, vistos, parcerias).
  3. Cenário eleitoral — o discurso sinaliza quem Lula quer ser para as próximas eleições: um presidenciável que batalha pela soberania, pela justiça institucional e contra interferências externas. Em Goiás, onde muitos eleitores valorizam ideia de “Brasil forte”, “Brasil soberano”, isso pode ecoar bem.
  4. Riscos de retaliação — há risco de escalada diplomática. Sanções, restrições, retaliação comercial ou de mobilidade podem surgir. Governos estrangeiros guardam instrumentos para pressionar, e parte disso já foi usada. É algo que o governo brasileiro parece consciente, inclusive ajustando discursos para não gerar escaladas desnecessárias.

Pontos de atenção e críticas que surgem

  • Alguns analistas afirmam que o discurso de Lula também contém traços fortes de vitimização, no sentido de projetar o Brasil como alvo constante de pressões externas, o que politicamente pode mobilizar apoio interno, mas também virar narrativa de conflito permanente — o que pode desgastar diplomaticamente.
  • Outra crítica é sobre o alinhamento do Brasil em pautas externas (ex: Palestina), que pode gerar ganhos simbólicos, mas também reações de países contrários ou de blocos mais conservadores no ocidente.
  • A necessidade de traduzir esse discurso em ações concretas: medidas de defesa comercial, diplomacia ativa, articulação de parcerias internacionais. Falar de soberania é bom, mas o desafio é proteger os interesses brasileiros no terreno, com impacto palpável.

Na ONU, Lula fez mais do que discurso: plantou uma bandeira clara: soberania, democracia, independência institucional. É um momento de afirmação diplomática, mas que ficará marcada tanto por reverberações externas quanto por como o governo navegará as consequências. Para o Brasil — e para Goiás — esse posicionamento pode render tanto simbolismo quanto efeitos práticos, dependendo de como será seguido por ações concretas.

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