Às vésperas das eleições de 2026, cresce nos bastidores a articulação para que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, deixe o Republicanos e se filie ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. A movimentação, no entanto, não deve ocorrer sem contrapartidas. Dirigentes do Republicanos já costuram uma série de compensações políticas para não sair enfraquecidos com a mudança de sigla de sua principal figura nacional.
Segundo apuração, o acordo envolve líderes de peso: o presidente do Republicanos, Marcos Pereira; o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto; e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que mantém proximidade com Tarcísio no governo paulista. A ideia central é que a ida de Tarcísio para o PL seja equilibrada por ganhos eleitorais concretos ao Republicanos em outros estados e cargos estratégicos.
Entre as compensações em discussão está a migração de aliados de Tarcísio para o Republicanos.

O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), é citado como possível nome a ser incorporado à legenda, garantindo continuidade e influência no governo estadual. Além disso, a negociação passa pela construção de palanques regionais.



Em Minas Gerais, por exemplo, há articulações para que Republicanos e PL dividam o apoio a nomes como o senador Cleitinho (Republicanos) e o deputado Nikolas Ferreira (PL). Já no Rio de Janeiro, o Republicanos pode buscar espaço em uma aliança com o PSD do prefeito Eduardo Paes, mirando participação nas disputas para o Senado.
Apesar de avançadas, as conversas ainda não resultaram em um acerto definitivo. Embora Valdemar Costa Neto tenha dito que a filiação de Tarcísio ao PL estaria “apalavrada”, a candidatura presidencial do governador não é dada como certa. O calendário eleitoral impõe pressão: governadores que desejam disputar a Presidência ou o Senado precisam deixar seus cargos até abril de 2026. Essa exigência torna a definição urgente, tanto para o projeto pessoal de Tarcísio quanto para a reorganização das legendas.
O desafio é encontrar um equilíbrio que preserve o Republicanos e, ao mesmo tempo, fortaleça o PL como polo da direita pós-Bolsonaro. Caso a costura não seja bem-sucedida, há risco de desgaste interno, perda de espaço regional e até de fragmentação de alianças. Por outro lado, se consolidada, a movimentação pode redesenhar o cenário eleitoral e posicionar Tarcísio como nome central da direita em 2026, ainda que o Republicanos cobre caro por sua saída.




























