Assalto a repórteres estrangeiros durante o evento expõe falhas de segurança e levanta questionamentos sobre a capacidade do Brasil em sediar conferências internacionais de grande porte.
O que deveria simbolizar avanços no debate climático global transformou-se em um episódio que expôs graves deficiências de segurança e organização. Durante a cobertura da COP30, em Belém (PA), dois jornalistas estrangeiros foram assaltados em plena luz do dia, no entorno do tradicional Mercado Ver-o-Peso — um dos principais cartões-postais da capital paraense.
Segundo relatos divulgados pela imprensa, os profissionais foram rendidos por criminosos armados com faca e facão, que exigiram celulares e equipamentos de trabalho. Um dos assaltantes chegou a pular em um rio na tentativa de fuga, mas acabou preso por policiais. Os itens roubados foram recuperados, mas o episódio causou grande repercussão internacional, lançando dúvidas sobre a capacidade de Belém em garantir segurança durante o evento climático que reúne líderes, diplomatas e jornalistas de todo o mundo.
O caso, amplamente noticiado por veículos nacionais e estrangeiros, acendeu um alerta sobre a vulnerabilidade do aparato de proteção pública montado para o evento. Em um momento em que o governo brasileiro busca projetar uma imagem de compromisso ambiental e eficiência institucional, a ocorrência de crimes contra a imprensa — justamente durante a realização de uma conferência global — compromete a credibilidade do país diante da comunidade internacional.
Além do episódio de violência, críticas vêm se acumulando sobre a preparação da COP30. O decreto da Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), com o envio de mais de 19 mil agentes das Forças Armadas e das forças de segurança, tem sido questionado por especialistas e pela população local. A dúvida que permanece é se a simples presença militar é suficiente para conter o avanço da criminalidade urbana e assegurar o bom andamento do evento.
Enquanto diplomatas e autoridades debatem metas climáticas ambiciosas, a realidade nas ruas de Belém revela um contraste preocupante: a cidade ainda enfrenta problemas estruturais de segurança, mobilidade e infraestrutura básica. Para muitos analistas, o incidente com os jornalistas simboliza a distância entre o discurso oficial e a prática administrativa, num país onde o planejamento de grandes eventos internacionais muitas vezes esbarra na ineficiência e na falta de coordenação entre esferas de governo.
O episódio reforça uma percepção recorrente: não há sustentabilidade sem segurança. De nada adianta promover um fórum global sobre o futuro do planeta se os próprios participantes não se sentem seguros ao caminhar pelas ruas da cidade-sede.




























